CARTOLA 100 ANOS
Interpretado por Vanessa Falabella (cantora)

Angenor de Oliveira nasceu a 11 de outubro de 1908 e o seu centenário merece uma comemoração especial.

Morador tradicional da Mangueira, começou a trabalhar como tipógrafo e mais tarde empregou-se como pedreiro. Vizinho da Fábrica de Chapéus Mangueira, foi lá que conseguiu uma cartola descartada, que decidiu usar no trabalho, para amparar-se do sol e dos respingos de cimento, companhia inseparável dos profissionais da construção civil.

Angenor assumiu o apelido de Cartola e foi com ele que se imortalizou na cultura popular do Brasil. Companheiro de boêmia dos precursores do samba no Rio de Janeiro, Cartola tocava cavaquinho e, graças à sua enorme musicalidade, compunha com graça e simplicidade mas, sobretudo, com inspiração poética de beleza incomum.

Em 1928 Cartola e outros companheiros das rodas de samba do morro da Mangueira, fundou a Escola de Samba da Mangueira, a segunda agremiação desse gênero (a primeira foi a Deixa Falar, de duração muito efêmera). O termo “Escola” foi escolhido para dar um certo ar de nobreza ao ritmo do samba, àquela época muito mal visto pelas famílias e até perseguido pela polícia como um movimento musical onde predominava a malandragem.

A Mangueira firmou-se e até hoje pontifica como reduto de sambistas ilustres. E o samba de escola, tal como imaginado por Cartola, tornou-se o maior instituto de cultura popular do país, presente em todos os Estados do Brasil, de norte a sul e de leste a oeste.

Este sambista inspirado, que compôs em parceria com grandes artistas, legou-nos composições que jamais nos deixarão de encantar. Todos os anos, milhões de pessoas desfilam pelas ruas das cidades do país, cantando e sambando no carnaval, graças à estrutura organizacional que surgiu a partir da Escola de Samba de Cartola e seus amigos. O país deve a ele a consolidação desse patrimônio, que atrai turistas do mundo inteiro.

A L’Art não poderia deixar de se associar às comemorações deste centenário, oferecendo ao público este CD que, na voz quente de Vanessa Falabella, nos remete aos melhores momentos da carreira de Cartola. Então, convidamos a todos a sorrir e voltar ao jardim em que ele imaginava conversar com as rosas porque, de fato, em se tratando de Cartola, as rosas... não falham!



Lauro Henrique Alves Pinto

Rio, 11 de outubro de 2008
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